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Correia embebida em óleo do Ka: mesma ideia do Onix, óleo diferente

O Ford Ka 1.0 três cilindros também usa uma correia de sincronismo que trabalha dentro do óleo do motor — só que pede uma especificação diferente da usada pela Chevrolet. Entenda a diferença.

Ford Ka hatch da terceira geração (a vendida no Brasil desde 2014) em vista alta, três quartos
Foto: Ezarate · CC BY-SA 4.0

Conteúdo produzido a partir de material publicado porO Mecânico — Substituição da correia dentada embebida em óleo

Depois que publicamos aqui sobre a correia banhada a óleo do Onix, mais de um cliente perguntou a mesma coisa sobre o Ka: “e o meu, também tem essa correia?”

Tem. E é um bom motivo para explicar a tecnologia de outro ângulo — porque, apesar da ideia ser a mesma, o cuidado prático muda de um carro para o outro.

A mesma tecnologia, batizada de outro jeito

O nome técnico é BIO — Belt In Oil, desenvolvida pela Dayco e usada em vários motores no Brasil: os 2.0 turbodiesel da VW Amarok, o Puretech da Citroën/Peugeot e o 1.0 três cilindros da Ford, que equipa o Ka.

A ideia por trás dela é unir o melhor de dois sistemas. A correia comum é leve e barata, mas precisa de trocas periódicas. A corrente dura mais e exige menos manutenção, mas é mais pesada e ruidosa. A correia embebida em óleo tenta ficar no meio: um material especial — com camada de teflon nos dentes e kevlar na borracha — permite que ela trabalhe imersa no óleo do motor sem se degradar, algo que destruiria uma correia comum.

O resultado prático: menos atrito, motor mais silencioso e mais econômico. Não à toa, o Ka está entre os carros mais econômicos da categoria.

O número que interessa: 240 mil km

Segundo a recomendação da Ford, a correia do motor 1.0 três cilindros foi projetada para durar 240 mil quilômetros — desde que as trocas de óleo sejam feitas com o lubrificante certo, no prazo certo. É a mesma lógica do sistema usado pela Chevrolet no Onix, e o raciocínio de fundo é idêntico: como a correia vive dentro do óleo, a saúde de uma depende diretamente da saúde do outro.

A diferença que importa: o óleo é outro

Aqui está o detalhe que muita gente confunde entre marcas diferentes, e que vale a pena deixar claro.

O Onix pede óleo sintético 0W-20 com certificação Dexos, da GM. O Ka pede uma especificação própria da Ford: viscosidade 5W20, atendendo à norma Ford WSS M2C 948 B.

São normas diferentes, de fabricantes diferentes. Usar o óleo certo para o Onix no motor do Ka — ou vice-versa — não é uma equivalência segura. Cada motor foi calibrado para a aditivação específica que a sua montadora exige, e é essa aditivação que protege a correia ao longo dos 240 mil km prometidos.

Na prática, isso significa uma coisa simples: não vale generalizar “óleo sintético” como se todos fossem iguais. O tipo certo para o seu carro está no manual do proprietário, e é isso que a oficina confere antes de qualquer troca.

Por que a troca da correia é diferente da tradicional

Vale um esclarecimento honesto sobre o que essa tecnologia significa na prática, caso um dia a correia precise ser trocada.

Como ela trabalha selada dentro do motor — igual a uma corrente — o acesso é bem mais trabalhoso que numa correia comum. Vários componentes ficam presos à tampa que cobre o sistema: bomba d’água, alternador, compressor do ar-condicionado. Uma reportagem técnica que acompanhou essa troca num Ka registrou quase sete horas de mão de obra para o procedimento completo.

Isso não é motivo de preocupação para o dia a dia — é só o contexto de por que esse serviço, quando necessário, é mais demorado que uma troca de correia convencional. E reforça por que vale tanto a pena que a correia chegue aos 240 mil km sem precisar de troca antecipada: fazendo o básico direito — óleo certo, prazo certo — o motor já está fazendo a parte dele.

O que já foi identificado como causa de desgaste antecipado

O consultor técnico da fabricante da correia é direto sobre isso: já existem casos de desgaste prematuro por falta de troca de óleo adequada. Não é a correia que falha por defeito — é o ambiente em que ela trabalha que deixa de protegê-la.

Isso reforça o mesmo ponto do artigo sobre o Onix: no motor com correia em óleo, a troca de óleo deixou de ser “só” manutenção do motor. Ela é, também, manutenção da correia.

O que verificamos na revisão do seu Ka

Na revisão, além de usar o óleo na especificação correta indicada pela Ford, conferimos os itens que trabalham junto com o sistema — porque um vazamento ou uma folga ali muda o cenário do conjunto inteiro.

Se você não sabe qual óleo tem sido usado no seu Ka nas últimas trocas, é um bom momento para conferir. A Top Stop documenta cada serviço realizado, com garantia nacional de 90 dias em toda a rede Porto — para você não depender da memória na próxima revisão.

Fonte:O Mecânico — Substituição da correia dentada embebida em óleo