Ruído na traseira do Onix: o que a bucha da suspensão avisa
Um chiado ou estalo na traseira do Onix costuma vir de um ponto específico da suspensão. Entenda o que é essa peça e por que ela também afeta o alinhamento.

Conteúdo produzido a partir de material publicado porO Mecânico — Raio X: Chevrolet Onix Premier 1.0 Turbo AT
“Parece que tem alguma coisa solta atrás.” É uma frase comum no balcão de quem dirige um Onix com alguns anos de estrada — geralmente depois de passar por um buraco, uma lombada mal feita ou um trecho de paralelepípedo. O carro não perde a dirigibilidade, não acende luz no painel, mas o ruído incomoda e levanta a dúvida: é grave ou não?
Na maioria das vezes, a resposta está numa peça pequena e barata, mas que o motorista comum nunca ouviu falar: a bucha da bandeja traseira.
O que é essa “bandeja” e por que ela tem bucha
O Onix, como a maior parte dos carros populares brasileiros, usa na traseira um tipo de suspensão chamado eixo de torção — uma estrutura única que liga as duas rodas de trás e se movimenta como um conjunto só, em vez de cada roda trabalhar de forma independente. Esse eixo é fixado à carroceria por um braço de cada lado, popularmente chamado de bandeja.
A bandeja não encosta direto no metal da carroceria. Entre os dois fica a bucha: um bloco de borracha (ou um composto parecido) que absorve a vibração e permite um pequeno movimento articulado, sem transmitir cada solavanco cru para dentro do carro. É a mesma lógica de um coxim de motor — só que, em vez de sustentar o motor, essa bucha sustenta o ponto onde a suspensão se prende à estrutura.
Por que ela racha com o tempo
Borracha envelhece. Exposta a calor, variação de temperatura e à flexão constante de cada buraco da rua, a bucha perde elasticidade aos poucos e pode rachar — mais frequentemente nas unidades traseiras do que nas dianteiras, segundo o registro de manutenção do próprio fabricante levantado em uma revisão detalhada do modelo feita pela publicação especializada O Mecânico. Diferente de uma pastilha de freio, que avisa com um chiado conhecido, a bucha rachada dá sinais mais discretos e fáceis de atribuir a outra causa.
Os dois sinais que valem atenção
- Ruído seco ou “estalo” ao passar por irregularidades — buraco, quebra-mola, trilho de trem. Quanto mais gasta a bucha, mais folga existe no ponto de fixação, e essa folga gera o barulho quando a bandeja se move.
- Alteração sutil no alinhamento, mesmo sem o carro ter sofrido uma pancada. Como a bucha ajuda a manter a bandeja na posição correta, uma rachadura que avança compromete essa fixação — e o eixo traseiro pode passar a trabalhar levemente fora do ângulo original, o que aparece num desgaste mais acelerado do pneu de um dos lados.
Nenhum desses sinais pede pânico. São avisos graduais, do tipo que um carro dá bem antes de qualquer problema maior — e é exatamente esse tipo de sinal que vale a pena não ignorar, porque custa pouco resolver enquanto ainda é só a bucha.
Por que é fácil confundir com outra coisa
O ruído de uma bucha gasta se parece, para o ouvido de quem não trabalha com isso, com o de outras peças da suspensão — um amortecedor no fim da vida, uma bieleta (a peça que conecta a barra estabilizadora à suspensão) ou até um parafuso de roda mal apertado. A diferença só aparece na bancada: o técnico movimenta a bandeja manualmente, com o carro no elevador, e sente a folga no ponto exato da bucha, sem o peso do carro em cima dela.
É por isso que esse tipo de ruído entra na lista do que vale avaliar com o carro suspenso, e não só rodando — no chão, a bucha rachada costuma estar sob carga e disfarça o problema.
O que entra na avaliação
Verificar esse ponto da suspensão do Onix significa, na prática, subir o carro no elevador e inspecionar visualmente as duas buchas da bandeja traseira, procurando rachadura, ressecamento ou folga ao movimentar a peça manualmente. Quando há desgaste confirmado, a troca é da bucha (ou, dependendo do caso, do conjunto que a acompanha) — não da bandeja inteira, que normalmente segue boa.
Vale aproveitar a mesma subida no elevador para olhar as bieletas, já que ficam na vizinhança e também são de material plástico nesse modelo, com desgaste parecido ao longo dos anos.
Um ruído que vale checar, não ignorar
Um estalo discreto na traseira não é o tipo de coisa que para o carro no meio do caminho. Mas é exatamente por isso que costuma ser deixado de lado — até o dia em que o desalinhamento silencioso já consumiu um pneu de um dos lados. Checar a suspensão traseira numa revisão de rotina custa bem menos do que lidar com o pneu gasto que a folga foi deixando passar sem ninguém notar.
Fonte:O Mecânico — Raio X: Chevrolet Onix Premier 1.0 Turbo AT

